Para começo de conversa, vamos desconstruir essa sigla médica que, como tantas outras, parece coisa de outro mundo.
AVC = Acidente Vascular Cerebral = derrame.
O derrame é um termo popular, que reflete um dos tipos de AVC que existem: o acidente vascular hemorrágico. Nesse caso, há um verdadeiro “derrame”, um sangramento local que ocorre pelo rompimento de vasos dentro do cérebro. O segundo tipo de acidente vascular que existe é o isquêmico, onde o sangue não chega a determinado local do cérebro, por uma oclusão (entupimento) de um vaso.
São fatores praticamente opostos que causam o mesmo tipo de problema. Problema esse que, se está sendo abordado por essa coluna deve acometer aos nossos animais, certo? Infelizmente sim.
Os sinais característicos de um AVC são: queda abrupta, precedida de um ganido agudo; confusão mental; perda de equilíbrio e coordenação motora; repetição de movimentos (“pedalar” no chão ou rodopiar sempre para o mesmo lado); paralisia facial (animal fica com a língua de fora, geralmente de um só lado da boca, salivando bastante); convulsões...
Os animais mais propensos a desenvolver um derrame são os idosos, os obesos, os que apresentam problemas hormonais (hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo...), os animais altamente estressados e aqueles que apresentam convulsões frequentemente (mesmo fazendo uso de medicação de controle)
O que o proprietário deve fazer é entrar em contato imediatamente com seu médico veterinário. Animais acometidos por um AVC devem ser atendidos imediatamente. Quanto mais o socorro demorar, maior poderá ser o dano cerebral desse mal,e piores serão as sequelas. Deve-se evitar a histeria, pois isso pode piorar o quadro, uma vez que o animal pode entrar em desespero tanto pelo que está acontecendo com ele quanto pela reação do seu dono. Pegá-lo no colo de forma abrupta enquanto se chora aos gritos no ouvido dele não vai ajudar em nada. Tente manter-se calmo enquanto o leva para uma clínica ou aguarda a chegada do veterinário.
Apesar do quadro assustador – literalmente parece que nosso companheiro está morrendo -, o AVC tem tratamento, e em muitos casos o animal volta a ser o mesmo de antes, ou muito perto disso. É claro que passará por um tratamento rigoroso prescrito pelo veterinário, mas é importante saber que deve-se lutar para curar o seu amigo. Um AVC não é sinônimo de morte.
Grande abraço e até a próxima.
segunda-feira, 26 de março de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Cães grandes em espaços pequenos
Você escolheu, pensou, consultou um veterinário que lhe deu muitas dicas, e finalmente se decidiu: o cão ideal para correr pelo quintal da sua casa seria um golden retrivier, ou um doberman, ou dálmata, boxer, até mesmo um dinamarquês. Mas a vida dá voltas, e você teve que se mudar para um apartamento onde mal há espaço para que seu amigo se movimente sem esbarrar nas coisas. E agora?
Bem, meu primeiro conselho seria tentar encontrar um familiar ou amigo, alguém de confiança que realmente quisesse ficar com o cachorro, que gostaria de cuidar dele. Que ele pudesse continuar em uma casa, com terreno onde pudesse se exercitar livremente, e de preferência num local onde você possa visita-lo sempre que quiser.
“Isso nem pensar! Meu amigo e eu somos muito grudados, e um não vive longe do outro!”
Hum... ok. Isso é bom. Mas se você tem que ter noção de que agora terá muito mais trabalho do que antes. Ficar com seu cachorrão dentro do apartamento é até possível, mas vai demandar muito esforço.
Em primeiro lugar, ele não pode incomodar os vizinhos. Se ele estava acostumado a latir muito, lembre-se que agora você tem alguém morando bem ao lado, parede com parede com a sua casa. E convenhamos que o latido de um cachorro grande costuma ser de balançar as paredes. Então, o primeiro passo é controlar esses latidos. Isso pode ser feito conversando com seu médico veterinário. Ele pode lhe dar várias dicas, ou lhe indicar um adestrador que lhe ajude a solucionar o problema.
Depois, vem o problema da falta de espaço. Lembre-se, além da falta que ele vai sentir de fazer exercício, na casa antiga, seu cachorro estava acostumado a fazer as necessidades quando queria, e isso mudou. Você deve passear com ele pelo menos três vezes ao dia, tanto para que ele se exercite, quanto para que se acostume a fazer as necessidades somente na rua. “Mas três vezes não é demais?”. Demais? Imagine se você só pudesse ir ao banheiro três vezes ao dia...
Caso não tenha tempo para isso, você pode contratar um “passeador” que pegará seu cão na sua casa e o levará para a caminhar na rua.
Ah, e não se esqueça de levar um saco plástico na caminhada. Já reparou o tamanho do “número dois” do seu cachorrão? Pois é, ninguém vai gostar de pisar num desses bem no meio da calçada. Portanto, cate as fezes logo depois dele fazer (coloque o saco na mão como se fosse uma luva, e depois de recolher vire ao contrário).
Assim, seu amigo vai sentir menos a mudança de ambiente, e vocês vão poder ficar juntos, mesmo dentro de um “apertamento”.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Adote um animal!

Você já pensou em ajudar um abrigo de animais abandonados? Já pensou em adotar um dos milhares de cães e gatos que não têm lar?
Inúmeras pessoas têm vontade de fazer isso, sentem-se compelidas a ajudar sempre que vêem um animal largado na rua, muitas vezes doente, correndo riscos. Mas como ajudar? O que fazer?
Agora, essa dúvida acabou.
Se você tem vontade de ajudar os animais abandonados, seja adotando um cão ou gato, seja apenas colaborando com um abrigo que trata, vacina e doa os animais, isso ficou muito fácil. Basta entrar em contato, via site ou telefone, com o abrigo Ajude um Animal.
Mantido por um grupo de pessoas diversas, e contando com médicos veterinários responsáveis pelo bem estar dos animais, o abrigo tem como objetivo principal encontrar lares dignos para animais antes largados pelas ruas. Eles são recolhidos, tratados, alimentados, e, quando em perfeitas condições de saúde, são doados para pessoas engajadas, amantes dos animais.
Se você tem vontade de ter um cão ou um gato em casa, pense na possibilidade de adotar, em vez de comprar. Entre no site, veja as fotos, faça uma visita. Quem sabe você não se apaixona?
Se não deseja ou não pode ter um animal dentro de casa, mas quiser ajudar, entre em contato da mesma forma. Você pode ajudar de diversas formas, como fazendo doação de dinheiro, material, ração, ajudando na divulgação, ou apenas estimulando os amigos a adotar.
Visite o site, você não vai se arrepender...
Grande abraço.
Estupidez inacreditável
Voltei há algum tempo dos Estados Unidos, onde passei um mês. Não tenho absolutamente nada contra o país, ou o povo, muito pelo contrário. Gosto de ir para lá, e até hoje fui muito bem tratado por todos os americanos com quem tive contato. Mas um ponto da cultura dos americanos me incomoda muito.
Há um canal lá, especializado em caça. E foi nesse canal que vi uma cena de arrepiar. Uma cena, porque não consegui ver mais do que dez minutos.
Um pai falava carinhosamente com sua filha, uma moça de uns dezessete anos, ambos deitados sobre a grama. A cena poderia ser de carinho paternal, não fosse pelo rifle que a moça segurava com firmeza, o olho colado à mira telescópica. A câmera se afasta lentamente, e ao longe se vê um lindo urso negro. O animal parece farejar algo no solo. Tranqüilo, ele não tem a menor idéia do que está prestes a acontecer. E nem eu estava, mesmo sabendo o que viria a seguir. A moça dispara, e o animal tomba imediatamente. O urso está morto. O pai, feliz, abraça a moça, que sorri orgulhosa.
Não sou contra matar animais para se comer, embora ache que existem criações de gado, aves, suínos e outros animais especificamente para esse fim, e por isso não veja necessidade em se matar um animal selvagem. Mas é menos pior. Agora, o que vi naquela cena, o assassinato de um urso apenas para se tirar uma foto ao lado dele, apenas para diversão, é inacreditável!
Ainda outro dia, um amigo tinha ido a uma reunião onde conheceu uma senhora, que se gabava de tudo, daquelas que faz questão de dizer que tem muito dinheiro, que mora em um super apartamento, que há diversos desembargadores vivendo em seu prédio – meu amigo nem compreendeu o motivo dela citar isso, como se fosse algo de exraordinário, ou diferente de se ter qualquer outro profissional como vizinho. Enfim, era uma pessoa cheia de si. Mas que sou eu para julgar qualquer um, a vida é individual, e cada um que haja como bem entender desde que não prejudique ninguém. E é aí que eu queria chegar ao falar dessa senhora.
Lá pelas tantas ela contou, achando que estava no auge e que meu amigo ia morrer de inveja, que seu filho – provavelmente criado como um rei mimado – tinha como hobby matar animais na África.
Meu amigo ficou chocado, e começou a dizer que isso era proibido.
“Bem, lá onde meu filho vai, acho que é permitido...”
Pelo amor de Deus... achei que gente assim só existia em novela, aqueles personagens que a gente morre de raiva, mas imagina que o autor está exagerando. Se era verdade ou mentira dela, jamais saberemos, porque quando meu amigo tentou se aprofundar no assunto, dizendo que isso era crime sim, e que ele tinha que saber disso, ela desconversou. Mas mesmo que seja mentira – o que eu espero -, o que leva uma pessoa a achar que isso seja motivo de orgulho? O que leva uma mãe, em vez de ensinar ao seu filho que matar por prazer é assassinato, simplesmente apoiar, achar lindo, e ainda contar para os outros cheia de orgulho?
Esses são episódios que me deixam infeliz e desanimado em relação ao ser humano.
Talvez o primeiro passo para que a humanidade evolua e respeite a si própria seja o respeito aos animais.
Até a próxima.
Há um canal lá, especializado em caça. E foi nesse canal que vi uma cena de arrepiar. Uma cena, porque não consegui ver mais do que dez minutos.
Um pai falava carinhosamente com sua filha, uma moça de uns dezessete anos, ambos deitados sobre a grama. A cena poderia ser de carinho paternal, não fosse pelo rifle que a moça segurava com firmeza, o olho colado à mira telescópica. A câmera se afasta lentamente, e ao longe se vê um lindo urso negro. O animal parece farejar algo no solo. Tranqüilo, ele não tem a menor idéia do que está prestes a acontecer. E nem eu estava, mesmo sabendo o que viria a seguir. A moça dispara, e o animal tomba imediatamente. O urso está morto. O pai, feliz, abraça a moça, que sorri orgulhosa.
Não sou contra matar animais para se comer, embora ache que existem criações de gado, aves, suínos e outros animais especificamente para esse fim, e por isso não veja necessidade em se matar um animal selvagem. Mas é menos pior. Agora, o que vi naquela cena, o assassinato de um urso apenas para se tirar uma foto ao lado dele, apenas para diversão, é inacreditável!
Ainda outro dia, um amigo tinha ido a uma reunião onde conheceu uma senhora, que se gabava de tudo, daquelas que faz questão de dizer que tem muito dinheiro, que mora em um super apartamento, que há diversos desembargadores vivendo em seu prédio – meu amigo nem compreendeu o motivo dela citar isso, como se fosse algo de exraordinário, ou diferente de se ter qualquer outro profissional como vizinho. Enfim, era uma pessoa cheia de si. Mas que sou eu para julgar qualquer um, a vida é individual, e cada um que haja como bem entender desde que não prejudique ninguém. E é aí que eu queria chegar ao falar dessa senhora.
Lá pelas tantas ela contou, achando que estava no auge e que meu amigo ia morrer de inveja, que seu filho – provavelmente criado como um rei mimado – tinha como hobby matar animais na África.
Meu amigo ficou chocado, e começou a dizer que isso era proibido.
“Bem, lá onde meu filho vai, acho que é permitido...”
Pelo amor de Deus... achei que gente assim só existia em novela, aqueles personagens que a gente morre de raiva, mas imagina que o autor está exagerando. Se era verdade ou mentira dela, jamais saberemos, porque quando meu amigo tentou se aprofundar no assunto, dizendo que isso era crime sim, e que ele tinha que saber disso, ela desconversou. Mas mesmo que seja mentira – o que eu espero -, o que leva uma pessoa a achar que isso seja motivo de orgulho? O que leva uma mãe, em vez de ensinar ao seu filho que matar por prazer é assassinato, simplesmente apoiar, achar lindo, e ainda contar para os outros cheia de orgulho?
Esses são episódios que me deixam infeliz e desanimado em relação ao ser humano.
Talvez o primeiro passo para que a humanidade evolua e respeite a si própria seja o respeito aos animais.
Até a próxima.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
A importância de se ouvir o cliente
Veterinário não sabe tudo. Longe, muito, muito longe disso. Muitas vezes a gente não sabe o que o paciente tem, e é obrigado a recorrer a exames de sangue, ultrassonografias, raios x e afins para tentar fechar um diagnóstico. Mas ainda mais importante do que qualquer exame complementar é se fazer um bom histórico do problema do animal. Não falo do exame físico – que também é importantíssimo. Veterinário que dá o diagnóstico sem encostar no animal pode acabar errando – mas sim do histórico mesmo, perguntando para o proprietário.
Para isso, é preciso se ouvir o cliente. Ouvir mesmo, prestar atenção, inclusive ponderando sobre as opiniões dele. Muitas vezes tive clientes que me disseram: “acho que ele está com diarréia porque anteontem nós o levamos para a casa da minha mãe. Teve churrasco lá, então ele pode ter comido alguma coisa...”. Ou: “minha gata começou a se coçar depois da obra que fizemos no banheiro...”
Sem escutar, o veterinário fica com a cabeça fechada, já chega a um diagnóstico antes mesmo de saber o histórico completo que pode ter levado àquela doença. E o diagnóstico, depois de formado na cabeça do veterinário, não tem que ser obrigatoriamente imutável. Quantas vezes eu não estava pensando em uma determinada causa para um mal qualquer, analisando os sintomas, mas depois mudei de idéia ao computar alguma informação do cliente?
Há de se ter humildade. Não no sentido de ficar de cabeça baixa, achar que não sabe nada, ou mudar de opinião a cada frase do cliente. Mas sim no sentido de se juntar o que o cliente diz a todos os anos de estudo na faculdade, mais a experiência que se adquire na prática da profissão.
Cabe aos proprietários de animais de companhia, cobrar isso de seus médicos veterinários de confiança. Observar se eles estão realmente interessados e atentos ao que você está dizendo. Em contrapartida, é obrigação dos clientes ir ao veterinário com um histórico bem detalhado, informações importantes que possam ajudar no diagnóstico final. Não adianta, por exemplo, contar as brincadeiras que você fez com ele durante a semana, e esquecer a cor do vômito de ontem à noite.
Há inúmeras informações que variam de acordo com a doença, mas alguns itens são comuns. É importantíssimo para o veterinário saber exatamente quando o problema começou, a evolução do quadro (se vem piorando, melhorando, ou está estável), e se houve alguma mudança na rotina do pet, por exemplo.
Ah, e por favor, nada de omitir informação, florear, exagerar... mesmo que você tenha vergonha de alguma coisa (o pedação de bolo de chocolate que deu no dia daquela festinha na sua casa), conte para o veterinário.
Grande abraço e até a próxima.
Para isso, é preciso se ouvir o cliente. Ouvir mesmo, prestar atenção, inclusive ponderando sobre as opiniões dele. Muitas vezes tive clientes que me disseram: “acho que ele está com diarréia porque anteontem nós o levamos para a casa da minha mãe. Teve churrasco lá, então ele pode ter comido alguma coisa...”. Ou: “minha gata começou a se coçar depois da obra que fizemos no banheiro...”
Sem escutar, o veterinário fica com a cabeça fechada, já chega a um diagnóstico antes mesmo de saber o histórico completo que pode ter levado àquela doença. E o diagnóstico, depois de formado na cabeça do veterinário, não tem que ser obrigatoriamente imutável. Quantas vezes eu não estava pensando em uma determinada causa para um mal qualquer, analisando os sintomas, mas depois mudei de idéia ao computar alguma informação do cliente?
Há de se ter humildade. Não no sentido de ficar de cabeça baixa, achar que não sabe nada, ou mudar de opinião a cada frase do cliente. Mas sim no sentido de se juntar o que o cliente diz a todos os anos de estudo na faculdade, mais a experiência que se adquire na prática da profissão.
Cabe aos proprietários de animais de companhia, cobrar isso de seus médicos veterinários de confiança. Observar se eles estão realmente interessados e atentos ao que você está dizendo. Em contrapartida, é obrigação dos clientes ir ao veterinário com um histórico bem detalhado, informações importantes que possam ajudar no diagnóstico final. Não adianta, por exemplo, contar as brincadeiras que você fez com ele durante a semana, e esquecer a cor do vômito de ontem à noite.
Há inúmeras informações que variam de acordo com a doença, mas alguns itens são comuns. É importantíssimo para o veterinário saber exatamente quando o problema começou, a evolução do quadro (se vem piorando, melhorando, ou está estável), e se houve alguma mudança na rotina do pet, por exemplo.
Ah, e por favor, nada de omitir informação, florear, exagerar... mesmo que você tenha vergonha de alguma coisa (o pedação de bolo de chocolate que deu no dia daquela festinha na sua casa), conte para o veterinário.
Grande abraço e até a próxima.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Resgatada do mar

Sofia foi resgatada das pedras do Clube Costa Brava. Provavelmente foi jogada, pois não existe a possibilidade de um cachorro entrar no Clube, muito menos de cair nas pedras que dão para o mar. Foi levada para a Mangueira com prazo p/ sair. O prazo acabou e ela iria ser levada p/ Suipa. Enfim, na tentativa de evitar essa tortura buscamos a Sofia, mas não temos um lar para ela.
Tratar-se de uma senhora de aproximadamente 10 anos, castrada, gordinha (24kg), saúde boa, vermifugada, com exames em dia, personalidade tranquila, meiga, feliz e adora ficar no seu cantinho. Ah! Ela tem tamanho médio e dá perfeitamente para cuidar em apartamento.
Por favor ajudem, adotem ou apadrinhem a SOFIA! Vamos dar um final feliz para sua história sofrida.
Para adotar: 99363965 / Raquel.
terça-feira, 1 de março de 2011

Pedro era um homem duro. Endurecido pela vida.
Teve duas filhas, fruto de um casamento estável. Mas as meninas desestabilizaram sua vida, sacudiram sua tranquila rotina, vieram como um tufão. Casaram, descasaram, tiveram filhos, voltaram para a casa dos pais.
Irritado, ele se tornou fechado, frio, de difícil trato. Gostou dessa nova fachada, porque assim o deixavam em paz. “Ele é difícil de se lidar”, diziam, e ele sorria por dentro.
Sentia-se ressecado, desanimado. A vida passou a ser uma sucessão de dias iguais.
Até que uma das filhas comprou para sua própria filha – neta de Pedro – uma cachorrinha. Isso, obviamente, enquanto morava na casa dos pais depois do segundo divórcio e sem consultar ninguém.
A pequena poodle branca chegou tímida e assustada, e Pedro, amargo, pensou: “vai sobrar pra mim”.
E sobrou. Sobrou totalmente. Desde as primeiras doses da vacina, que ele teve que levá-la ao veterinário. Sempre irritado, é claro, até porque se sentia ridículo saindo de casa com uma poodle branca a tiracolo.
A cada vez ele chegava em casa dizendo com cara feia para sua neta que era a última, que a cadela era dela e a responsabilidade também.
Mas a história se repetia.
A pequena peluda passou a nutrir verdadeira adoração por Pedro, ignorando seu mau humor, e deitando aos seus pés enquanto ele lia o jornal. Ele levantava para beber água, e lá ia ela, as unhas batendo no chão liso com um barulhinho que aos poucos ia agradando ao homem.
As idas ao veterinário passaram a ser menos irritantes e ele agora ficava preocupado com a saúde dela, e não com o que os outros iam pensar dele estar com uma poodle no colo. Na verdade, logo ele passou a ter orgulho daquela bichinha que só queria papo com ele, fugindo dos estranhos e não dando muita bola para as filhas e nem para a neta.
Quando sua filha arrumou um namorado e decidiu sair de casa, comentou que levaria a cadelinha, mas um olhar sério e penetrante de seu pai foi o suficiente para que ela soubesse que a pequenina não sairia de perto de Pedro. A cadelinha não aguentaria, na verdade. Aliviada, a filha deixou a poodle com o pai.
Anos depois, bem mais velha, a peluda é o xodó de Pedro, e conseguiu amolecer muito o coração do durão.
Com ele, ela aprendeu a sentar, dar a pata, e até buscar os chinelos dele.
Com ela, entretanto, ele aprendeu algo muito mais importante.
Olhando para aquele bichinho tão pequeno e de olhos penetrantes, ele voltou a sorrir.
* Esse pequeno conto é uma reunião de algumas histórias reais que tive a chance de presenciar ao longo de minha carreira. Conheci muitos “Pedros” dobrados por cachorros e gatos, que chegam de mansinho e conquistam o coração.
Um abraço e até a próxima.
Teve duas filhas, fruto de um casamento estável. Mas as meninas desestabilizaram sua vida, sacudiram sua tranquila rotina, vieram como um tufão. Casaram, descasaram, tiveram filhos, voltaram para a casa dos pais.
Irritado, ele se tornou fechado, frio, de difícil trato. Gostou dessa nova fachada, porque assim o deixavam em paz. “Ele é difícil de se lidar”, diziam, e ele sorria por dentro.
Sentia-se ressecado, desanimado. A vida passou a ser uma sucessão de dias iguais.
Até que uma das filhas comprou para sua própria filha – neta de Pedro – uma cachorrinha. Isso, obviamente, enquanto morava na casa dos pais depois do segundo divórcio e sem consultar ninguém.
A pequena poodle branca chegou tímida e assustada, e Pedro, amargo, pensou: “vai sobrar pra mim”.
E sobrou. Sobrou totalmente. Desde as primeiras doses da vacina, que ele teve que levá-la ao veterinário. Sempre irritado, é claro, até porque se sentia ridículo saindo de casa com uma poodle branca a tiracolo.
A cada vez ele chegava em casa dizendo com cara feia para sua neta que era a última, que a cadela era dela e a responsabilidade também.
Mas a história se repetia.
A pequena peluda passou a nutrir verdadeira adoração por Pedro, ignorando seu mau humor, e deitando aos seus pés enquanto ele lia o jornal. Ele levantava para beber água, e lá ia ela, as unhas batendo no chão liso com um barulhinho que aos poucos ia agradando ao homem.
As idas ao veterinário passaram a ser menos irritantes e ele agora ficava preocupado com a saúde dela, e não com o que os outros iam pensar dele estar com uma poodle no colo. Na verdade, logo ele passou a ter orgulho daquela bichinha que só queria papo com ele, fugindo dos estranhos e não dando muita bola para as filhas e nem para a neta.
Quando sua filha arrumou um namorado e decidiu sair de casa, comentou que levaria a cadelinha, mas um olhar sério e penetrante de seu pai foi o suficiente para que ela soubesse que a pequenina não sairia de perto de Pedro. A cadelinha não aguentaria, na verdade. Aliviada, a filha deixou a poodle com o pai.
Anos depois, bem mais velha, a peluda é o xodó de Pedro, e conseguiu amolecer muito o coração do durão.
Com ele, ela aprendeu a sentar, dar a pata, e até buscar os chinelos dele.
Com ela, entretanto, ele aprendeu algo muito mais importante.
Olhando para aquele bichinho tão pequeno e de olhos penetrantes, ele voltou a sorrir.
* Esse pequeno conto é uma reunião de algumas histórias reais que tive a chance de presenciar ao longo de minha carreira. Conheci muitos “Pedros” dobrados por cachorros e gatos, que chegam de mansinho e conquistam o coração.
Um abraço e até a próxima.
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